Você quer que seu filho tenha estresse?

Todos se espantam quando digo que sim, quero prover para meus filhos estresses. Deixe que eu explique melhor: quero que passem por pequenos e inofensivos estresses de tempos em tempos para que aprendam de forma protegida a lidar com pequenas tormentas. Agora vivemos tempos de pandemia de coronavírus. De repente saímos de um estado de tranquilidade para um enorme turbilhão. Temos risco de nos infectarmos e transmitirmos o vírus para pessoas queridas, temos dificuldade de suprimento de cuidados de saúde, temos potencial dificuldade de abastecimento de comida. E somos alimentados por muitas incertezas e suas consequências. São as resultantes dos riscos reais somados aos inventados e alimentados por tantas fake news.

Infelizmente, a vida não nos avisa e não nos prepara para tudo que podemos precisar lidar. Assim, alguns pequenos e inofensivos estresses não direcionados diretamente às nossas crianças podem trazer um treinamento para aquilo que pode vir e deixá-los preparados, para a situação que vier. Esperamos que não venha, mas se vier será bom que tenham o “couro grosso”ou “thick skin”.

Mas um pequeno inofensivo estresse para mim pode ser gigante para você ou o contrário. Claro! E isso é difícil medir, não é mesmo? Existem alguns parâmetros que podem ser interessantes para um estresse ser considerado pequeno para aquele indivíduo, a saber: um estresse não deve ser intenso (tipo não deve colocar em risco a vida da pessoa), deve promover desafio, deve ser absolutamente seguro para o indivíduo, deve deixar a pessoa confiante em relação aos seus mais queridos (como pais e pessoas de suporte) e não deve ser contínuo, longo ou repetido.

Mesmo com esses parâmetros podemos dizer e pensar que ainda existem as diferenças individuais e realmente elas existem em relação a cada situação para cada criança e indivíduo. Algumas crianças depois de situações de deslizamentos e inundações deprimem, mas se a estrutura social e familiar é funcional, a família provê suporte, a rotina é rapidamente restabelecida e o suporte social acontece. Dessa forma, as chances de deprimir são menores para aquela criança do que as que não possuem essa estrutura.

Quando pais divorciam, apesar de todas as complexidades dessa circunstância, se as crianças sabem que são amadas por todas as partes e não sentem-se culpadas pelas situações, maior a chance de que eles se recuperem e se reorganizem mais rápido dentro do contexto de nova rotina.

A literatura não tem fórmulas mágicas para criar a resistência ao estresse ou mesmo a resiliência. A resiliência é conceituada de várias formas, uma delas diz respeito à grande capacidade de recuperação diante de um estresse, ou seja, difere em intensidade do que estávamos dizendo porque chega a promover desorganização, sofrimento e incômodo, mas o importante é que vem seguido de superação. Essa situação torna “o couro mais duro” como diziam nossos pais e avós, mas é pessoal e aparentemente não transferível. Assim, se for para que nossos queridos vivam estresses, que sejam assim, de pequena intensidade, curta duração e que não os desorganize demais e que possam sobreviver e florescer.

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